terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

9 - A Lógica da Diferença II

Essa é a mais esquiva de todas as lógicas, a mais difícil de perceber atuando, apesar dela estar por trás de todos nossos pensamentos (com a exceção do puramente fenomenológico, mas esse é mais teórico que prático). Sendo a lógica do inconsciente, permaneceu na penumbra por milênios até Sampaio a desvelar em "Lógica da Diferença" (ed. UERJ). Foi cultuada por Pascal, Kierkgaard e outros, sem que claramente a expusessem, apenas usavam seus esquivos métodos.
Sua grande contribuição ao pensamento, e o que a torna "fundamental" é sua capacidade de "recorte". É através dela que do todo concreto circundante, uma "parte" qualquer é "destacada" e ofertada a nossa consciência (I) que, operando sobre esse recorte(D), sintetiza o mundo objetivo, ou dialético (I/D). É a lógica que nos oferta a existência de "algo" além de nós mesmos. Se a lógica da identidade (I) nos presenteia com o "eu", a lógica da diferença (D) nos oferta algo "além do eu", ou seja um "Outro". Na verdade todo ser concreto é diferencial, é "outro", é um "não eu".
É também a lógica do "espaço", pois ao recortar algo, o faz sempre contra um "fundo indefinido", que se estende infinitamente em todas as direções.
Por nos garantir a existência de um "outro" é também a lógica do "segundo incluido", em oposição à lógica da identidade (I) (transcendental) que apenas nos garante a auto-existência, ou seja o "um incluido".

Nenhum comentário:

Postar um comentário